Caio Tulio Costa, para o Observatório da Imprensa:

Com um faturamento de US$ 37,9 bilhões no ano passado, o Google entrou para o ranking das maiores empresas de comunicações do mundo, em terceiro lugar.

A lista das 50 maiores empresas de comunicação acaba de ser divulgada na Alemanha pelo IfM, o Institut für Medien-und Kommunikationpolitik, ou Instituto de Mídia e Comunicação Política.

O campeão da lista é o conglomerado que reúne Comcast, NBC e Universal, da Filadélfia, nos Estados Unidos, com faturamento recorde US$ 55,8 bilhões. O segundo lugar é da Disney, que faturou US$ 40,8 bi.

O Google nunca havia entrado na lista, apesar de estar faturando alto há anos.

O fato mais importante é que, entre as 50 maiores, somente dez entre elas são responsáveis por 54% do faturamento global.

Leia a matéria completa (inclusive com a lista das 50 maiores).

Artigo publicado pelo jornalista e professor Carlos Castilho no Observatório da Imprensa. Temos trazido para este espaço discussões nessa direção, por isso achamos que valeria a pena republicar este conteúdo.

Informe State of the News Media 2011 identifica novos padrões de comportamento nas empresas jornalísticas em ambiente Web

A edição 2011 do relatório State of the News Media (Estado da Imprensa) divulgado esta semana nos Estados Unidos permite vislumbrar o que poderá ser a nova estrutura de informações que está surgindo em meio às modificações em curso na área das indústrias da comunicação.

O relatório oferece números e tendências que mostram a fragmentação do processo de produção e distribuição de notícias, com o surgimento de muitos protagonistas obrigatórios num campo que até bem pouco tempo era dominado por grandes empresas jornalísticas, em sua maioria controladas por grupos familiares pouco inclinados à compartilhar o poder de decisão.

O que se nota agora é que os clãs familiares estão cedendo rapidamente terreno para grupos financeiros. Nos Estados Unidos, quase 2/3 da imprensa já está na mão de investidores, que em geral preferem contratar executivos sem vínculos históricos com o jornalismo. Resultado: o poder tende a tornar-se impessoal na imprensa, acabando de vez com a era dos grandes barões, da qual o australiano naturalizado norte-americano Rupert Murdoch é o último grande exemplo.

Até agora os impérios jornalisticos controlavam, ou procuravam controlar, todo ciclo de produção das notícias, desde a fabricação do papel até a distribuição aos leitores e assinantes. Mas o mesmo processo, na via digital, deve passar pela mão de vários intermediários, quase todos sem nenhuma relação institucional entre si.

É o caso da distribuição de notícias e audiovisuais jornalísticos em computadores, telefones celulares, TV digital e os tablets, tipo iPad. Ao produzir a notícia, os jornalistas são obrigados a tomar em conta como ela será distribuída, condicionando-se às exigências e formatos de outras empresas, algumas das quais são concorrentes.

A concorrência se manifesta de forma quase brutal quando empresas jornalísticas exigem das que produzem os tablets, informações sobre usuários. Até bem pouco tempo atrás, os jornais tinham o controle absoluto sobre o acesso aos seus leitores. Agora eles precisam dos dados recolhidos pela empresa Apple, por exemplo, que produz o iPad onde são publicados conteúdos gerados por empresas jornalisticas.

Esta relação tem sido bastante conturbada porque ela é chave para todos os protagonistas do ciclo da notícia digital. Quem tem os dados do usuário está em condições ideais para definir o padrão de faturamento e, portanto, a maior fatia na receita gerada pela comercialização das notícias.

É aqui que o relatório State of the News Media 2011 confirma uma nova tendência em evolução no mercado jornalístico. A combinação da perda de controle total sobre o ciclo de produção da notícia com a convivência forçada com outros atores na geração e distribuição de conteúdos indica que o sistema de comercialização será baseado em múltiplas receitas de pequeno porte, recolhidas por um sistema complexo de faturamento.

Trocando em miúdos, pode-se concluir da leitura do State of the News Media 2011 que uma empresa jornalística em ambiente web terá que se apoiar numa cesta de receitas, que por sua vez podem variar desde uma assinatura convencional até o escambo, passando por vendas segmentadas em vários formatos. Nem toda a receita será monetizada, o que obrigará as empresas a uma ginástica contábil bastante complexa.

 

Segundo o jornalista e professor Carlos Castilho, em artigo para o Observatório da Imprensa, uma pesquisa realizada pelos institutos Monitor e Pew Internet, e divulgada esta semana, descobriu que as redes sociais (no caso lá, principalmente o Facebook) são responsáveis por 32% da informação local consumida pelos norteamericanos. Blogs vieram em 2º lugar, com 19%, mensagens por celular responderam por 12% e o Twitter por 7%. Sobrou 30% para os veículos da mídia tradicional.

A conclusão parece óbvia: o público está substituindo um modelo informativo por outro. Ou, talvez, e aí é apenas a opinião do pessoal aqui do laboratório, o público está adotando um modelo que de fato informa e abandonando um que deixou de cumprir esse papel há tempos.

Basta ver os jornais de ontem, domingo de carnaval. Tem algo mais carente de informação real do que essas resmas de papel impresso e colorido que chega às nossas casas? Um dos nossos laboratoristas guarda há alguns anos um exemplar de “jornal de domingo de carnaval” e diverte-se agora com um joguinho: ele cobre a data  dos exemplares e desafia quem é capaz de dizer qual o exemplar deste ano e qual os dos anos anteriores. Poucos conseguem (e, mesmo assim, pode ser pura sorte).

No noticiário local, essa imobilidade é dramática. Aqui, a mídia tradicional encontra-se em uma encruzilhada. Ela não consegue dar conta da demanda cada vez maior por uma informação próxima e quente. Precisa rever seus modelos, portanto.