Em 2018, as “fake news” ganharam. Em 2020, será a vez do “deepfake”?

04/06/2019

Illustration of Kamala Harris, Joe Biden, Nancy Pelosi and President Trump with various areas highlighted with scan lines and a pixel patternPrimeiro, um pouco de contexto…

Fake News são notícias falsas, boatos disseminados geralmente para prejudicar uma pessoa ou instituição. Como arma política, existe no mínimo desde os gregos – e talvez remonte às cavernas. A novidade é a sua facilidade de produção e de divulgação graças às ferramentas digitais e, principalmente, às mídias sociais.

Já o Deepfake é fenômeno recente, recentíssimo. Combinação das expressões inglesas “deep learning” (aprendizagem profunda , que é um ramo da aprendizagem por máquina que, por sua vez, é um ramo da ciência da computação que explora o estudo e construção de algoritmos que podem aprender de seus erros e fazer previsões sobre dados; em outras palavras, inteligência artificial) e “fake”, é uma técnica de síntese de imagens ou sons humanos. É mais usada para combinar a fala qualquer a um vídeo já existente. A técnica de aprendizado de máquina mais utilizada para criação de vídeos falsos é a chamada Rede Generativa Adversarial .

O primeiro caso registrado de deepfake foi em 2017, quando um usuário do Reddit sob o pseudônimo “Deepfakes” publicou vários vídeos de caráter pornográficos na Internet. O primeiro a chamar mais atenção foi o vídeo de Daisy Ridley, a Rey do  Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. Outra deepfake que chamou atenção foi da atriz Gal Gadot, a Mulher-Maravilha, fazendo sexo com seu meio-irmão. Vários outros vídeos com várias famosas renomeadas como Emma Watson, Katy Perry, Taylor Swift e Scarlett Johansson também foram divulgados. Todas as cenas não eram reais e foram criadas por redes neurais artificiais. Os vídeos foram desmascarados pouco tempo depois.

E a coisa piora… Com as pesquisas em imagens avançando a cada dia, a comunidade do Reddit consertou muitos dos erros grotescos dos vídeos gerados e tornou mais difícil distinguir a olho nu um vídeo falso de um vídeo verdadeiro. Com uma base de dados enorme de vídeos pornôs e outra base de vídeos de várias atrizes, os usuários do Reddit treinaram diversas redes neurais para gerar mais deepfakes. A primeira notícia de deepfake foi reportada pela revista Vice, na seção de Tecnologia e Ciências, decorrendo em ampla disseminação do ocorrido em vários outros meios midiáticos.

Deu para sentir o tamanho do problema, quando transplantamos a técnica para o mundo político? Até porque há um grande descompasso entre quem está trabalhando oficialmente para uma campanha, avançando com dificuldade no terreno minado da legislação e das alianças, e quem trabalha no submundo, preocupado apenas em causar o maior dano possível ao outro lado.

Uma matéria do Axios publicada nesta terça, 4/6, afirma com todas as letras que as campanhas presidenciais de 2020 nos EUA não estão preparadas para lidar com a enxurrada de vídeos falsos mostrando candidatos fazendo ou dizendo algo incriminador ou embaraçoso aguardada pelos especialistas.

O primeiro caso mais grave já apareceu: o vídeo manipulado da presidente do Congresso, Nancy Pelosi, que apareceu duas semanas atrás e foi até reproduzido no Twitter do Trump.

E olha que esse vídeo sequer explora todas as possibilidades da tecnologia – apenas deixou mais lentas as falas, dando a impressão de que a deputada não coordenava bem as ideias.

De qualquer forma, é uma boa amostra do que pode estar por vir. O vídeo falso tem o potencial de semear um enorme caos político, e combatê-lo é extremamente difícil. Pior do que isso: no momento, ninguém aparentemente concorda sobre quem deve ser responsável por esse combate.

O Axios contatou todas as 24 campanhas presidenciais democratas, além da campanha Trump e do candidato republicano Bill Weld. Nove campanhas democratas e a campanha de Trump responderam. Nenhum deles apontou qualquer medida de proteção específica que eles tivessem tomado contra os deepfakes.
Isso não surpreendeu consultores especializados no assunto. “Nós nos encontramos com um monte deles”, disse um consultor ao Axios. “Não sentimos que eles estejam interessados ​​em investir os recursos necessários”.Esses especialistas dizem que as campanhas devem ter um plano de resposta rápida para lidar com vários tipos de mídia manipulada, cultivar contatos com empresas de mídia social e filmar seus próprios candidatos a cada passo, para que possam mostrar quando um clipe foi alterado.
Até o ano que vem, a situação deve se deteriorar mais, porque os deepfakes do tipo “faça você mesmo” já estão ao alcance de qualquer pessoa com algum conhecimento em informática e um laptop decente.

Agora, se lá nos EUA, estamos na fase do “barata avoa”, imagine aqui no Brasil, onde nem a imprensa ainda se deu conta do problema.

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