Blockchain é um lixão semântico. Então, por que não o abandonamos?

06/02/2019

Resultado de imagem para blockchainNic Carter é sócio da Castle Island Ventures e cCofundador da Coinmetrics.io. Sabe, portanto, do que está falando neste artigo publicado na plataforma Medium

“Blockchain” isso, “blockchain” isso. É um conceito tão importante que até conseguiu dispensar os artigos definidos e indefinidos . Os proponentes não falam de “o” blockchain ou “um” blockchain. Em vez disso, eles pregam reverentemente Blockchain: a solução para todas as necessidades das empresas (em particular, para o gerenciamento da cadeia de suprimentos). O conceito bruto, inexpugnável e autoevidente rompeu não apenas as regras do comércio, mas também as da gramática. Questione e você será exposto como um caipira sem esperanças ou um ludita. Use-o com sinceridade e você será entronado como um entusiasta ou um  tecnólogo utópico.
É impossível evitar. Os anúncios da IBM prometem revolucionar o rastreamento de tomates com blockchain. O ministro das Finanças do Reino Unido afirmou recentemente que blockchain pode ser uma solução para os problemas britânicos com o Brexit. Em uma recente conferência realizada pela Ripple, o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, disse em relação a blockchain que “as permutações e possibilidades são incrivelmente grandes”.
A palavra “blockchain” é resistente à sátira. É um alvo tão óbvio que não é mais engraçado, e os defensores do blockchain são quase totalmente imunes ao ridículo. Nada pode por em cheque seu entusiasmo infatigável: há press releases a serem escritos, conferências a comparecer e dólares de P&D corporativos para serem desperdiçados. Blockchain representa tanto o futuro brilhante quanto o presente sombrio – quase todos os casos de uso elogiados são óbvios disparates.
Em 2015–2017, ICOs  viraram uma mania (agora, parece estar amainando), tendo como premissa, em grande parte, a capacidade das blockchains de revolucionar os mercados. Em termos mais simples, a ideia era aperfeiçoar todos os serviços concebíveis e substituir o intermediário por um banco de dados mágico que detalhava quem estava favorecendo quem. Alguns desses argumentos invocavam mercados acessíveis com ​​totais de trilhões de dólares (sim, trilhões com um T).
Blockchains corporativos sem alma de hoje e blockchains oportunistas, baseados em ICOs, suportaram o desprezo e o ridículo. No entanto, o termo persiste, uma casca semântica vazia, mantida viva por mil comunicados de imprensa, transmitindo o menor significado possível. O termo é usado para se referir simultaneamente a projetos, estruturas e bancos de dados que praticamente não têm nada em comum. Como consequência, tentativas de defini-lo são geralmente fracassos sem esperança.
(Na próxima parte, Nic explica a origem do “blockchain” e o que devemos fazer em relação a isso)

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