O autismo está aumentando? A resposta não é tão simples quanto você pensa

06/01/2019

Imagem relacionadaA plataforma independente de verificação de fatos Metafact.io. fez essa pergunta a 31 especialistas. 17 responderam “provavelmente sim” ou “com certeza sim”. A autora do artigo abaixo, Uta Frith, especialista em Autism Spectrum Disorder – ASD e desenvolvimento infantil do University College London, foi  um deles.

A prevalência do autismo – o número de casos diagnosticados em qualquer idade – aumentou enormemente. Mas prevalência não é o mesmo que incidência – o número de casos dos nascidos com autismo. Não há razão para acreditar que a incidência de autismo tenha aumentado.

Um aumento na prevalência de casos foi inevitável, dado o reconhecimento de que a definição clássica de autismo era muito estreita. Os fatores históricos no aumento dos casos diagnosticados (prevalência) resultaram do alargamento dos critérios, para adequá-los também aos adultos e para aplicá-los em casos previamente diagnosticados apenas como dificuldade de aprendizagem, tendo isso significado menor acesso a suporte especial. Por exemplo, um estudo descobriu que a prevalência administrativa média de autismo entre crianças nos EUA aumentou de 0,6 para 3,1 por mil de 1994 a 2003. Mas esse aumento foi explicado por um declínio na prevalência de retardo mental e dificuldades de aprendizagem.

Este não foi o único fator que elevou os números de prevalência: os casos com apenas sintomas muito leves, antes não diagnosticados clinicamente, passaram a ser incluídos na categoria de autismo. Acontece que são esses os casos que são a causa mais provável do aumento da prevalência desde 2000.

Então, quais são os números no momento? Um estudo em andamento em 14 países europeus estima a prevalência atualmente entre 0,6 e 1%. Nos EUA, esse valor variou entre 0,6 e 1,69% em 2014, de acordo com dados da Rede de Monitoramento de Incapacidades do Autismo e do Desenvolvimento, dos centros norte-americanos de controle e prevenção de doenças.

Esses números foram relatados na International Society for Autism Research 2018. Nessa reunião também foi relatado que a maior parte do recente aumento nos EUA pode ser atribuída ao aumento no diagnóstico de crianças no extremo leve do espectro. A conclusão foi alcançada depois de medir a extensão das deficiências sociais, uma característica definidora do autismo, em 12.700 crianças usando as Escalas de Comportamento Adaptativo de Vineland: o número de crianças com limitações severas em 2012permaneceu o mesmo como de 2000, enquanto o número de crianças com leve ou nenhuma deficiência aumentou.

Essa conclusão é a mesma de um estudo populacional sueco. Aqui a prevalência de autismo permaneceu a mesma para os casos com sintomas moderados ou graves, mas aumentou para aqueles com sintomas mais leves, tipicamente diagnosticados após a idade pré-escolar.

Assim, parece seguro concluir que o aumento observado na prevalência – isto é, casos diagnosticados como autistas – é uma consequência de mudanças na conscientização pública e mudanças na interpretação dos critérios diagnósticos, especialmente quando aplicados em níveis mais leves.

A prática de diagnóstico atual é excessiva? Possivelmente. Casos agora rotulados de autistas variam muito uns dos outros, e é provável que vários fenótipos neuro-cognitivos diferentes estejam misturados. Esses diferentes fenótipos ainda precisam ser identificados.

[ScienceAlert

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