Trump, o show da vida

13/11/2016

nbc-fires-donald-trump-after-he-calls-mexicans-rapists-and-drug-runnersNão dá para fingir que a eleição de Donald Trump não me incomodou. Incomodou, sim. Menos, talvez, pelo que representa na realidade, pois não tenho ilusões sobre os limites da atuação do Presidente dos Estados Unidos. E mais, muito mais, pelo que representa simbolicamente: a vitória de uma visão de mundo racista, misógina, excludente, perigosamente irresponsável, acima de tudo ressentida.

É um incômodo, sem dúvida, compartilhado por milhões de pessoas em todo o mundo. Inclusive por Aaron Sorkin, roteiristaprodutor de televisão e dramaturgonorte-americano, cujos trabalhos incluem A Few Good MenThe American PresidentThe West WingStudio 60 on the Sunset StripThe Social NetworkMoneyball e The Newsroom.

Aaron resolveu exorcizar esse fantasma publicando na Vanity Fair uma carta dirigida a suas filhas. Dando os devidos descontos ao fato de que Aaron é um eleitor declarado do Partido Democrata, acho que vale a pena a leitura (tradução por conta e risco desse humílimo escrevinhador).

“Meninas,

Bem, o mundo mudou na noite passada de uma maneira que não permitiu que eu pudesse nos proteger. É um sentimento terrível para um pai e não vou tentar disfarçá-lo – é verdadeiramente horrível.

Não é a primeira vez que meu candidato perde (na verdade, é a sexta), mas é a primeira vez que ganha um chovinista completamente incompetente com ideias perigosas, transtornos psiquiátricos sérios, nenhum conhecimento do mundo e nenhuma curiosidade para aprender.

E não foi apenas Donald Trump quem venceu ontem à noite – foram também seus apoiadores. A Ku Klux Klan venceu ontem à noite. Os nacionalistas brancos. Os sexistas, os racistas e os bufões. Os jovens brancos cheios de ódio que pensam que rap e Cinco de Mayo são uma ameaça ao seu modo de vida (ou são a razão para o seu modo de vida) e a quem foi dada uma causa para comemorar. Homens que não têm o direito de se chamarem disso, e que pensam que as mulheres que aspiram a mais do que parecerem sexy são bagulhos, feias e, portanto, merecedoras do nosso desprezo em vez de nossa admiração, tornaram-se exemplos para os cretinos misóginos de toda parte.

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