Tente não se sacudir ao balanço dessas incríveis turbinas eólicas sem pás

14/05/2016

[O artigo abaixo foi escrito por Jon Comulada e publicado no upworthy.com. Fiz a tradução e a adaptação por conta e risco, porque acho que os parcos leitores deste blog mereciam conhecer a novidade]

Quando não está virando do avesso seu guarda-chuva, derrubando sua jarra de chá gelado, ou sadisticamente arrancando o balão de gás de uma criança, o vento é capaz de fazer algumas coisas bem poderosas.

Por exemplo – e que exemplo! – o vento pode gerar eletricidade, o que em geral envolve turbinas que parecem com isto:

É bem capaz de você já ter visto alguns desses gigantescos e modernistas moinhos de vento, rodando lentamente suas pás como a desafiar novos quixotes.

E, por falar em quixote, uma startup espanhola chamada Vortex apareceu com um novo design para as turbinas. Eis como elas são:

São chamadas de Bladeless, ou seja, “sem lâminas”. E, como você mesmo pode ver, trata-se de uma turbina eólicas sem pás, postes maciços brotando do chão.

Como ocupam menos espaço do que as turbinas eólicas comuns, por serem mais finas e não terem pás, pode-se colocar uma quantidade maior das Bladeless, o que significa que mais eletricidade pode ser gerada em um terreno de tamanho menor.

Mas como é que essas turbinas sem pás geram energia?

Simples: elas se sacodem para lá e para cá.

Agora, de um ângulo diferente:

(Nessa altura do artigo, desafia Jon, o leitor está, também ele, se balançando. Não se envergonhe em confessar, o movimento é tão contagioso quanto bocejar.)

O segredo desse balanço cheio de bossa está em um fascinante ramo da engenharia aeronáutica chamado aeroelasticidade, que é o estudo de como coisas elásticas se movem quando são expostas a uma energia constante.

Um bom exemplo está ilustrado nas imagens abaixo. Elas mostram uma cena que ocorreu em 1940 na ponte Tacoma Narrows, estado de Washington, EUA. Sob a ação de um tornado com ventos de até 64 km/h, seus cabos absorveram o impacto mas fizeram a ponte vibrar e ondular, causando um fenômeno conhecido como flutter (palpitação) que, tecnicamente, é uma “oscilação auto-excitada”, na qual cada vibração torna a vibração seguinte mais forte.

A ponte inteira começou a balançar descontroladamente, e então…

Felizmente, ninguém morreu — além disso, os engenheiros aprenderam muitas lições importantes sobre projetos de pontes.

Os projetistas da Bladeless também usaram aquele desastre como benchmarking, diz a empresa. A turbina captura o poder do flutter aeroelástico e sua suas vibrações magnificadas para criar energia com menos vento do que as outras turbinas.

A Vortex diz que seu design é 40% mais barato do que as turbinas tradicionais porque as enormes pás que elas precisam são caras. Além disso, a manutenção deve ser mais barata também, pois as turbinas Bladeless têm menos peças. Elas também funcionam mais silenciosamente e criam menos problemas com os ventos — e esses são argumentos populares contra as turbinas com pás.

Em resumo, afirma Jon, isso quer dizer que estamos melhorando a cada dia na tarefa de controlar o poder do vento.

(O que pode ser fundamental para o Brasil, que é atualmente o décimo produtor de energia eólica do mundo, com 322 usinas e capacidade para produzir 8,12 gigawatts, o equivalente à usina hidrelétrica de Tucuruí, ou seja, 5,8% da matriz energética nacional — mas com potencial para chegar a 140 GW, que é mais do que toda a matriz energética atual, pouco mais de 135 gigawatts.)

 

 

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