Minha previsão para 2016: erraremos todas as previsões

03/01/2016

Inclusive a previsão do título. Pois é claro que os “especialistas” acertarão uma ou outra previsão. Mas não em relação àquelas coisas que realmente contam, aquelas que significam mudanças reais de paradigmas, aquelas sobre as quais falaremos com assombro e respeito daqui a alguns anos.

Os “profetas” vão discutir sobre o modelo do Uber, sobre pagamentos móveis, sobre a computação vestível e todas essas coisas de um futuro que, de certa forma, já é passado. Mas ninguém vai conseguir, por exemplo, acertar em relação a como será o varejo no futuro.

Porque, nesse tema em particular, o passado é passado mesmo. E, como fazemos em geral, continuamos tentando construir o futuro sobre as fundações do passado. Haverá um ponto de inflexão em algum ponto (talvez até já tenha ocorrido) que não conseguimos vislumbrar por absoluta falta de ferramentas conceituais. E ele fará toda a diferença.

Quer um exemplo? Pouco mais de um século atrás, com o automóvel já tendo sido inventado, os futurologistas da época se debatiam com os problemas decorrentes do aumento de carroças nas ruas das cidades.

Em 1894, um artigo publicado no The Times estimava que por volta de 1950 todas as ruas londrinas estariam enterradas sob três metros de estrume de cavalo. Na mesma década, um “especialista” nova-iorquino concluiu que em 1930 as fezes dos nobres animais teriam atingido as janelas do terceiro andar dos prédios de Manhattan.

Com o início da produção industrial, embora ainda não em massa, dos automóveis, a questão do estrume deixou de preocupar estudiosos e autoridades – e ainda demoraria muito para que a poluição criada pelos veículos substituísse aquela preocupação – mas não evitou a continuidade da cegueira.

Um estudo econômico do final da primeira década do Século XX previa que a produção de carros não conseguiria superar o número de um milhão. O número mágico não vinha de limitações de matéria prima ou tecnológicas. A questão era simplesmente o cálculo de quantas famílias teriam condições de manter um “chauffeur”, partindo da análise de quantas famílias podiam então ter um cocheiro.

E então, quais as suas previsões para o ano que começa?

 

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