Câmeras de segurança embarcam em transporte público

19/07/2014

por Andrei Junqueira

Quem anda de metrô em São Paulo já deve ter notado a presença de pequenas câmeras de segurança dentro dos vagões. Elas servem não só para inibir roubos ou a prática de abuso sexual e identificar a presença de vendedores ambulantes, mas também para os operadores visualizarem o fluxo de usuários e fazerem uma melhor gestão do serviço. Diferentemente das câmeras maiores que encontramos em postes e paredes, elas são feitas especificamente para o setor de transportes e deverão ser cada vez mais comuns em grandes centros urbanos.

Seguindo o exemplo de cidades como Madri e Estocolmo, frotas inteiras de ônibus no Brasil também estão começando a receber câmeras para acompanhar o que ocorre à frente do veículo, monitorar as interações com o condutor e proteger os passageiros. Diante de um acidente, é possível conferir o que houve na frente ou atrás do ônibus para justificar a batida.

Trata-se de algo novo em termos tecnológicos. Historicamente, as câmeras de segurança foram inicialmente pensadas para uma instalação estática, como o teto de um escritório. Seu uso em cidades para monitoramento urbano já se tornou uma exigência da população para inibir o crime, identificar suspeitos e oferecer à polícia ferramentas inteligentes de prevenção. Mas, quando se trata de transporte público em ônibus, as câmeras são normalmente empregadas em estações, chegando até a plataforma de embarque, mas sem entrar nos veículos. As mais antigas utilizadas dentro das composições geralmente não são de alta definição e tampouco são preparadas para lidar com a diferença de iluminação enfrentada durante os deslocamentos. É isso o que está mudando.

Trens e metrôs que percorrem a superfície passam pelo mesmo problema que um ônibus: variação de luz. Com a incidência de iluminação natural e, abruptamente, a chegada de algum túnel com luz artificial, as câmeras de segurança têm extrema dificuldade para manter a qualidade da imagem. Mas as câmeras digitais mais modernas têm a capacidade de melhor aproveitar a luz disponível para criar uma imagem mais definida, em que todos os detalhes se tornam mais visíveis. Elas fazem uma compensação imediata dessa iluminação variada, tornando visíveis pessoas que antes apareciam como sombras nas áreas mais escuras do vídeo e mostrando imagens melhores do que aquelas observadas a olho nu. Por conta dessa capacidade superior de visualização, cuja qualidade torna as imagens recomendáveis para investigações e uso como provas em processos judiciais, a tecnologia foi batizada de Captura Forense. Parece saído de uma série americana, mas é real.

No caso específico de metrôs, outro problema é que o sistema precisa continuar armazenando imagens mesmo quando a conexão se perde por alguns minutos. Em muitos casos, é extremamente conveniente poder armazenar as imagens na própria câmera, dentro de cartões de memória iguais aos usados em câmeras fotográficas, mas que podem armazenar vídeos ao longo de vários dias. Essa maior capacidade dos cartões de memória também colabora com a atual mudança no conceito de videomonitoramento para o setor de transportes.

As câmeras para esse propósito ainda precisam ser resistentes às trepidações e balanços. E, se forem feitas com material resistente a atos de vandalismo (como muitos novos modelos) ou estiverem embutidas na estrutura do veículo (como as câmeras ocultas), dificilmente serão depredadas por vândalos. Tudo isso sem falar no uso de câmeras para contagem de pessoas que sobem nos ônibus e reconhecimento facial para evitar fraudes.

Todos esses avanços tecnológicos, que envolvem melhor resolução de imagem, melhor capacidade para compensar a variação de luz, armazenamento de vídeos na própria câmera e resistência a trepidações, já estão disponíveis no Brasil, e estão permitindo levar mais segurança a ambientes que antes eram difíceis de atender por razões técnicas. Depois de terem chegado a vários municípios do País, as câmeras de segurança agora começarão a circular entre as cidades.

Andrei Junqueira é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Axis Communications.

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